sábado, 21 de março de 2009

Tribuna do Sudoeste | HORA DO PLANETA

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Tribuna do Sudoeste
Dia 28 tem ‘apagão do bem’

Hermom Dourado

Que tal desligar algumas luzes de sua casa ou a fachada de sua empresa durante apenas uma hora da noite do próximo sábado, dia 28 de março? É justamente esta a sugestão da organização não-governamental WWF Brasil para que cada cidadão manifeste a sua preocupação com o aquecimento do planeta. Ao redor de todo o mundo, sempre das 20h30 às 21h30 - de acordo com os fusos horários locais -, milhões de lares, milhares de ruas, centenas de monumentos, bairros e cidades apagarão suas luzes.

Em Rio Verde, quem está preparando a mobilização são os alunos do terceiro período do curso de gestão ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (o antigo Cefet). "Começamos este projeto assim que o Rio de Janeiro se inscreveu na WWF, confirmando a participação do Brasil no movimento. Lá, dentre os monumentos que serão apagados por 60 minutos, está o Cristo Redentor", relata o professor Fernando Uhlmann Soares, responsável pela orientação da turma, que está dividida em quatro grupos. "Temos o pessoal que está trabalhando com a divulgação do ato simbólico na mídia, o grupo que tenta viabilizar a participação do Poder Público e os alunos que buscam apoio da iniciativa privada e da sociedade, em geral", enumera ele.

O primeiro passo para a viabilização da "Hora do Planeta" em Rio Verde foi a realização de uma reunião, no dia 13, com a participação de membros dos vereadores José Henrique de Freitas e James Borges, do presidente da Fundação Municipal de Cultura, João Orlando Cruvinel, do representante da Superintendência de Meio Ambiente, Aildo César Guimarães, além de alunos, professores e de dois membros da diretoria daquela instituição de ensino, o vice-diretor Anísio Corrêa, e o diretor de extensão José Weselli de Sá. "Nesta conversa, conseguimos a adesão de todos os órgãos representados. Após isso, encaminhamos ofícios para instituições como a Celg, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros para garantirmos todo o respaldo necessário para o bom andamento do nosso ato simbólico. A Celg e a PM acham muito interessante o projeto e já disseram que vão apoiá-lo", explica Soares.

Para chamar a atenção para a Hora do Planeta, os organizadores rio-verdenses estão preparando uma concentração na Praça Gonzaga Jayme, mais conhecida como Praça dos Coqueiros. No local, já estão confirmadas apresentações musicais e exposição de telas. "Queremos aproveitar o ensejo para promovermos também uma noite cultural. Para isso, também estamos tentando providenciar apresentações de esquetes teatrais, um sarau e outras atrações", adianta o professor. Como a ideia é que a praça também fique à meia luz das 20h30 às 21h30, ele comenta que está procurando a adesão dos proprietários dos bares e restaurantes do entorno, no sentido de que eles promovam jantares à luz de velas, por exemplo.

Perguntado sobre quais pontos da cidade devem ficar apagados durante a Hora do Planeta, Soares conta que a lista inclui monumentos como o Cristo Redentor e o Memorial dos Marcos Históricos de Rio Verde (na esquina das avenidas João Belo e Presidente Vargas), as praças Valeriano Leão Cruvinel (da Matriz Nossa Senhora das Dores), dos Coqueiros, Cinco de Agosto, Padre Mariano (da Igreja São Sebastião) e os prédios públicos da Prefeitura Municipal, da Câmara , do Palácio da Intendência, da Fundação de Cultura e do Fórum. "É importante que todos entendam que não estamos querendo promover nenhum ato terrorista. A própria organização do movimento deixa bem explícito no site www.wwf.org.br que as vias públicas devem permanecer acesas, de modo a garantir a ordem e a segurança", frisa, acrescentando que é muito comum que haja confusões entre o significado dos termos efeito estufa e aquecimento global: "O efeito estufa é um fenômeno natural do planeta Terra e possibilita a manutenção da temperatura em condições vitais. Já o aquecimento global é um agravamento dessa função estufa, em virtude do aumento da poluição atmosférica que acaba retendo maior quantidade de radiação solar." (saiba mais sobre o tema no texto abaixo)

Multiplicadores
Dentre os 28 alunos envolvidos no projeto, a euforia é grande. Participantes da equipe responsável pela divulgação na mídia, Marcos Flávio F. J. da Silva, 23, e Luciana Miranda, 25, comemoram as parcerias já conquistadas. "Fechamos com o pessoal da agência Terra Brasilis e da Prestográfica, que vão confeccionar parte dos panfletos para nós. Além disso, temos o apoio do Supermercado Campeão, que já é parceiro do curso desde outras iniciativas e está bancando a confecção das camisetas da Hora do Planeta", cita Luciana. Ao que Marcos completa: "Vamos atrás de divulgação no rádio, nos jornais impressos e na TV. Outra mídia importante que estamos utilizando é a digital, com a criação de comunidades no Orkut, por exemplo."

Andreza de Mello Lopes, 19, mora no município de Itarumã e participa do grupo que ficou encarregado de tentar buscar apoio junto ao Poder Público. "Conversei na prefeitura e na Secretaria de Educação e consegui que o ato também fosse estendido para a minha cidade. A população está sendo informada por vinhetas de rádio", comemora a estudante. Em Cachoeira Alta, os alunos Denise Paula Goulart e André de Oliveira Martins - ambos com 18 anos de idade - já entraram em contato com a Secretaria de Meio Ambiente. Um dos mais entusiasmados com o projeto, Wesley Fernandes, 30, está encaminhando os ofícios solicitando a adesão dos órgãos públicos de Rio Verde e liberação para que alguns prédios, casas e monumentos tenham suas luzes apagadas durante 60 minutos da noite do dia 28. "Vamos insistir para que a prefeitura inclua Rio Verde oficialmente no site dentre as cidades participantes da Hora do Planeta", informa.

Já a equipe que está atrás de adesões na iniciativa privada teve uma importante reunião com a Câmara de Dirigentes Lojistas na última sexta-feira, dia 20. “O presidente da entidade, Fernando Ramos, manifestou total apoio e interesse e se comprometeu a entrar em contato com 1.200 lojistas rio-verdenses para que eles se mobilizem no ato”, vibra Nathália Moraes do Carmo, 21.

Alguns estudantes de gestão ambiental decidiram ter uma participação ainda mais ativa no projeto. Geraldo Borges de Melo Neto, 22, é pintor e vai expor suas telas na Praça dos Coqueiros durante o ato. Já Eduardo Popp, 41, se propôs a cuidar da organização dos shows que acontecerão uma hora antes e uma hora depois do "apagão", conforme ele adianta. "Das 19h30 às 20h30 quem vai tocar vai ser a banda Bovinus S/A, cujo baterista é meu filho Bruno, que cursa agronomia aqui no instituto, e que também tem o baixista Gabriel, que trabalha e faz mestrado aqui. Depois das 20h30, nossa intenção é acertar com o cantor Sérgio Leão, que seria acompanhado na percussão pelo professor Bruno Saleh, que também é daqui do antigo Cefet." O nome desta parte do projeto é MPB da Hora e está aberto para apresentações de outros artistas regionais que queiram aderir à mobilização.

E por falar em mobilização, os integrantes do grupo que está tentando, junto à sociedade, reunir mais simpatizantes da Hora do Planeta estão preparando uma grande panfletagem para a próxima quinta-feira, dia 26. "Vai ser bem no centro da cidade, no Calçadão, na Praça dos Coqueiros; enfim, queremos passar a importância deste momento de reflexão para todos. É um ato que está ocorrendo no mundo inteiro e em prol de uma causa que interessa a todos nós", afirma Liviston Silva da Cunha, 18.

Com a mesma idade e colega no grupo, katherine Conceição Joergensen ressalta a importância da união de toda a turma para o êxito do projeto: "Aqui não tem uma equipe mais importante que a outra, porque o trabalho de todas está interligado. Nós, por exemplo, dependemos bastante do pessoal da mídia no que diz respeito à obtenção dos panfletos para espalharmos pela cidade."

Não confunda os termos
Efeito estufa e aquecimento global são termos relacionados, mas não são sinônimos nem deveriam ser confundidos entre si. Efeito estufa é um fenômeno natural, observado em todos os planetas do sistema solar cuja superfície é coberta por uma camada permanente de gases (atmosfera). A composição química da atmosfera, notadamente a concentração de CO2, tem papel decisivo na intensidade do efeito estufa, sendo, contudo, variável de um planeta para outro. O dióxido de carbono é um gás transparente à luz do Sol, mas é capaz de reter o calor (radiação infravermelha) liberado pela superfície terrestre. Assim, quanto maior o teor de CO2, mais intenso deverá ser o efeito estufa exercido pela atmosfera terrestre, o que significa que a temperatura da superfície do planeta será mais elevada. Como a presença de CO2 acentua o efeito estufa, dizemos que ele é um gás-estufa.
A atmosfera de Vênus, por exemplo, é formada essencialmente por dióxido de carbono (96%), o que ajuda a explicar o intenso efeito estufa que resulta em temperaturas de superfície sempre tão elevadas (acima de 350°C). No caso da Terra, ocorre o seguinte: de toda a energia do Sol que atinge o planeta, cerca de 30% são imediatamente refletidos de volta ao espaço, outros 20% são absorvidos por elementos da atmosfera (principalmente moléculas de água) e os 50% restantes alcançam a superfície do planeta (terra firme e oceanos). Desses 50%, uma parte é absorvida e outra é refletida de volta à atmosfera. A maior parte da radiação refletida pela superfície do planeta é absorvida pela atmosfera ou é re-refletida de volta à superfície; apenas uma pequena fração escapa para o espaço. O efeito líquido desse ziguezague da radiação é o aquecimento da atmosfera e da superfície do planeta - daí o nome efeito estufa.

O aquecimento global é a intensificação do efeito estufa, e sua origem estaria relacionada com as emissões de gases-estufa promovidas por atividades humanas ao longo dos últimos 250 anos. Em resumo, podemos dizer que o processo de aquecimento global é resultado de uma intensificação de origem antropogênica de um mecanismo natural chamado efeito estufa. (Por: Felipe A. P. L. Costa, biólogo - www.arscientia.com.br)

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