'Oceano Pacífico está se transformando em lixão a céu aberto.
Pesquisadores mostram que animais têm se alimentado de plástico.
Pesquisadores mostram que animais têm se alimentado de plástico.
Correntes marítimas levam lixo da costa para o mar aberto.'
No maior oceano do planeta, uma sopa intragável, mistura de plástico, plâncton, lixo e alimento bóia a 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí. Não se sabe exatamente seu tamanho, mas estimativas indicam que o lixão maritmo do Oceano Pacífico teria área maior que a soma dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
No maior oceano do planeta, uma sopa intragável, mistura de plástico, plâncton, lixo e alimento bóia a 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí. Não se sabe exatamente seu tamanho, mas estimativas indicam que o lixão maritmo do Oceano Pacífico teria área maior que a soma dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
A poluição alcança locais em que seres humanos raramente estão presentes, pela pouca quantidade de ilhas. O lixo cria anomalias, – como uma tartaruga que cresceu com um anel de plástico em volta do casco – e mata os moradores do mar.
- Descoberta por acaso
O capitão Charles Moore viajava pelo Pacífico, entre o Havaí e a Califórnia, quando resolveu arriscar um novo caminho. "Foi perturbador! Dia após dia não víamos uma única área onde não houvesse lixo. E tão distantes do continente;" lembra o capitão. Como um descobridor nos tempos das navegações, Charles Moore foi o primeiro a detectar a massa de lixo. E batizou o lugar de Lixão do Pacífico. Primeiro, viu pedaços grandes de plástico, muitos deles transformados em casa pros mariscos. Depois, quando aprofundou a pesquisa, o capitão descobriu que as águas-vivas estavam se enrolando no nylon e engolindo pedaços de plástico. Ele percebeu que mesmo onde parecia limpo, havia dejetos microscópicos, que estariam sendo ingeridos por organismos marinhos minúsculos e até pelos maiores. Albatrozes, por exemplo, tinham um emaranhado de fios dentro do corpo. "Antes não havia plástico no mar, tudo era comida. Então os animais aprenderam a comer qualquer coisa que encontram pela frente." Diz o capitão. Com uma peneira na popa do barco, o capitão e sua equipe filtram a sopa de plástico e fazem medições. Já descobriram, por exemplo, que 26% do lixo vem de sacolas de supermercado. Numa análise feita com 670 peixes, encontraram quase 1,4 mil fragmentos de plástico. São informações valiosas, fonte de pesquisa e argumentos pra grande denúncia de Charles Moore: "Gostaria que o mundo inteiro percebesse que o tipo de vida que estamos levando, isso de jogar tudo fora, usar tantos produtos descartáveis, está nos matando. Temos que mudar se quisermos sobreviver." - Da praia para as águas profundas
Uma simples garrafa de plástico esquecida na praia, muitas vezes é devolvida pelas ondas e recolhida pelos garis. Mas grande parte do lixo plástico que é produzido nessa região acaba embarcando numa longa e triste viagem pelo Oceano Pacifico. Pode ser também depois de uma tempestade. O plástico jogado nas ruas é varrido pela chuva, entra nas galerias fluviais das cidades e chega até o mar ou vem de rios poluídos que desembocam no oceano. No caminho, os dejetos do continente se juntam ao lixo das embarcações e viajam até uma região conhecida como o Giro do Pacífico Norte. Diversas correntes marítimas que passam às margens da Ásia e da Ámerica do Norte acabam formando um enorme redemoinho feito de água, vida marinha e plástico. - Lixo encalhado
Em Kamilo Beach, um paraíso deserto de uma região quase desabitada do Havaí, há tantos dejetos marítimos que o local acabou virando um lixão a céu aberto. Basta analisar alguns dejetos para descobrir a origem de parte de tudo o que chega até a praia. Em um pedaço de plástico e uma bóia de pescadores, caracteres chineses; Pouco mais adiante, o pedaço de um tanque de plástico com ideogramas coreanos. O pior é que Kamilo Beach está mais de 1,5 mil quilômetros distante do Lixão do Pacífico, no extremo sudoeste da ilha de Hilo, no Havaí. A praia dificilmente vê um gari. E o plástico que chega lentamente pelo mar vai ficando esquecido no paraíso. Há dois anos, o casal Dean e Suzzane Frazer resolveram fazer de Kamilo um alerta planetário. Suzanne se pergunta: "Será que o governo japonês, por exemplo, sabe quanto plástico o Japão esta mandando para o Havaí?" Dean traz um galão que, sem dúvida, chegou da Ásia. Tem também tubo de shampoo usado nos Estados Unidos e sacos de plástico sabe-se lá de onde. Agora, são só farrapos do mar. As mordidas impressas no plástico levaram os ambientalistas a mudar de alimentação. Eles afirmam que as toxinas estão se acumulando ao longo da cadeia alimentar, fazendo com que os resíduos do plástico cheguem ao ser humano. O casal toma notas, calcula as quantidades, recolhe equipamentos de pesca pra saber os pesos e as medidas de cada tipo de poluição. "Não temos a tecnologia pra remover pedaços de plástico minúsculos da areia. Não temos também um equipamento submarino para retirar os dejetos de dentro do mar. Como poderíamos filtrar o oceano inteiro?", pergunta Suzanne. Não é pessimismo. Por enquanto, praticamente nada está sendo feito e não dá pra dizer que existe um ou outro culpado: Todos usam e abusam do plástico.
Fonte: G1/Fantástico
Adaptação: Nelyne Araújo
"A cada dia ficamos cientes de mais um desastre ambiental, consequente de nossas atitudes impensadas, que afeta não só o meio ambiente mas a sociedade e o mundo como um todo; A questão é: 'Até quando?' Até quando assitiremos ao noticiário e continuaremos de braços cruzados? É muito cômodo e confortável ver, de dentro de nossas casas, o mundo ser destruído sem de fato lutar contra isso. É preciso mudar a nós mesmos para 're-moldar' o mundo. Nelyne Araújo"
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